quarta-feira, 23 de junho de 2010

Sádica Solidão





És somente dor as colunas do meu coração
que sustentam a cúpula de minhas lágrimas
para a tristeza não há apropriada ocasião
todas as alegrias tornam-se falhas

Os caminhos denotam angústia, invernos
estes são os meus fantasmas, sofreguidão
as sombras invadem meus dias, eternos
são os líricos dessa sádica solidão Solidão

tão minha, íntima, vida crua

via-crucis em um calvário de lamúrias
veneno insuportável, espinho, rosa-bruta
quanto mais triste, torna-se viciante a música

Perdida vago nos infernos de solidões
em busca da rosa negra de Lilith
que muta-se em coruja, doces ilusões
antes fosse eu, bela Nefertiti

Meu único espelho, - Sehvenn
o Lobo solitário, Senhor anti-perfeição
que vaga a me velar pelas noites que antecedem
a triste e eterna-melódica sádica-solidão.


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Eternamente dedicado a meu grande amigo:

Fernando Sehvenn, enquanto noites existirem
e
minhas palavras forem lembradas.

A Mulher E A Noite



Oh lua que contemplas-me pálida!
faz-me prisioneira dessa solidão
que somente em melodia revela lágrimas
e aos cacos deixa meu coração

Nua, deito-me sobre o dorço vibrante
do mais temível e rubro dragão.
Oh lua, és tu minha salvação faiscante
então lavas, batizas tu as minhas mãos

Na cama o outro me esperas
ereto, armado com a lança de Adão
mas és tu lua, és tu que quero
então, salva-me dessa viciante perdição

E não me deixes amanhecer em sol
antes, transforma-me em mera ilusão
para que possas eu viveres a prol
perdida num sonho sem exatidão

Oh lua, símbolo-útero, maçã-serpente-feminil
invades tu, o ar que respiro, sou
ou planta-me com tuas outras mil
sementes dessa rara mulher-flor.



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Poema dedicado ao povo pagão feminino.
Praticantes e cultuadoras da Mãe Terra, do amor
e da paz que brota-nos com toda sua eterna elegância.