sábado, 24 de abril de 2010

Mil Lágrimas, Baladas Cinzentas E O Amor Que Floresce No Inferno



Suportei o frio dos mares
Formados por minha tristeza
Me perdi em trocentos lugares
Em cinzas e incertezas

Chorei mil lágrimas
Como a fênix da lenda, do mito
Onde baladas cinzentas são navalhas
Onde ecoam todos os meus gritos

Assassinei a minha essência
E plantei-me no vago vazio externo
Sou a rosa negra por veemência
E o amor que floresce no inferno

Com agonia rego minhas raízes
Se existo, sou tristeza
O que são dias felizes?
O que é esta proeza?

Sou a rosa negra por veemência
E plantei-me no vago vazio externo
assassinei a minha essência
E o amor que floresce no inferno.



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Dedicado ao Sr. Arcano, um novo
amigo que concedeu-me um espaço
a modo de divulgar meu trabalho
literário, raíz da minha alma.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Ensaio Sobre A Prosa — A Estrela Esquecida — de, Fernando Sehvenn

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O diálogo íntimo entre o rabugento velho Emanoel e seu amigo de épocas Olavo, nos remete a atmosfera sentimental-obscura de romances franceses e ingleses do século passado. Logo de início, nos deparamos com o desgosto de Emanoel e com seu vício pelo álcool, único metodo que o próprio Emanoel encontra e, que, lhe serve como psicólogo para suas dores.
Por segundo, deparamo-nos com a chegada do também velho olavo, em quem Emanoel cospe suas dores-palavras e, coloca em pauta suas angústias pelo mundo e seu Criador. Deixando claro, a intensidade de seu ateísmo.
O autor, neste conto em prosa, cria uma atmosfera brilhante, onde, a existência mostra-se somente na euforia juvenil, deixando para trás, ao esquecimento, tudo o que passa a adquirir a natureza da velhice, cuja esta, perde-se entre os opacos muros do tempo.
É a amargura de Emanoel, o ator teatral abandonado pela crítica, que, dá sentido e vastidão ao texto, que ataca o leitor com blasfêmias incontáveis, dirigidas a Deus, cujo este, o próprio Emanoel, em toda sua loucura, julga-se até mesmo ser.
Outro fato marcante em 'A ESTRELA ESQUECIDA', é a semelhança (Em algumas poucas linhas) do velho Emanoel com a personagem Ebenezer Scroog - de Dickens, como o próprio autor afirma ter inspirado-se.
Fica mais evidente no trecho onde Emanoel diz:
"Faça isto caduco Olavo. Talvez assim você esteja salvando a sua alma."
Olavo então, responde: "Você sabe muito bem que não acredito no pecado, não é mesmo? (...),
Emanoel então conclui: "Tretas! E nada mais."

Não só pela citação da palavra pluralica - 'Tretas' - muito citada por Ebenezer Scroog, no livro Conto De Natal, mas também pela quase identidade do ato de ser e estar e até mesmo de pensar, é que claramente, conseguimos enxergar a inspiração na personagem de Charles Dickens, que o autor expressou fielmente na personagem Emanoel.

Somente quem lê os textos (Em geral) do autor em questão, consegue uma visão ampla de seu mundo Neo-Gótico, que, atua atmosfericamente sobre ou sob o signo de Lilith, ou ainda de, alguma outra divindade mais obscura, oculta e ainda sim, não descoberta.

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(Hellena Hanz é, escritora e crítica literária. Trabalhou nas revistas on-line: Universo L, Literatura+Pensamento, Lispector Magazine (Da qual atualmente tem uma coluna), entre outras. Além de algumas editoras já extintas e foi crítica literária nos sites de literatura: Tomacultura e, Bookind)

terça-feira, 13 de abril de 2010

O Vago Silêncio Das Horas

Perdido no descampado vazio das horas, da bio e do cronológico pulsar do coração. Um sopro lento, esquecido e feroz, papel rasurado em dobras, vaga consciência de nós. Nós quem? O homem e seu intelecto promíscuo? Ou as canções mortas por solidão? A cada consecutivo dia criam revoltas, e sempre se encontram a sós.
A selva renasce da crença e da fúria em que, a razão há tempos se manifestou. E, o pecado jamais existiu, não vê? Que foi o homem quem o criou? Seres bípedes racionais e arrogantes são, a gênese impura, semelhante aos bardos, a glória dos mundos, ambiciosos, crédulos, ingratos - ópera muda.
Germinam entre veredas, sob a carne dos prazeres. Evocam Eva, e, dão-lhe um virgem ainda 'verde'.
'Verde' como o fruto que ainda não madurou, a serpente foi mais esperta, e o paraíso declinou. Assim como o pobre de espírito internamente miserável, o vago silêncio das horas se faz, e invade queimando toda a lógica, a glória dos mundos, a semiologia do mais.


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Por: Hellena Hanz e Fernando Sehvenn.

Dedicado a memória de toda a ignorância
ainda presente nos dias atuais.

sábado, 3 de abril de 2010

Poema - Ao Meu Sangue

Apodreço as lembranças e me esqueço
No vago silêncio mútuo de meu coração
O inverno em solidão és meu terço
Minha lasciva e restrita religião

Ao meu sangue: A síntese da agonia
Glórias dolorosas ao meu sangue
Ao meu sangue: Luxúria e euforia
E a crença em um mundo infame

Gozo das alegrias sóbrias e infelizes
Um amor fictício, cem mil pássaros
Mortos em meus dias mais tristes
Meu útero de ásperos espaços

Ao meu sangue: Luxúria e euforia
E a crença em um mundo infame
Ao meu sangue: A síntese da agonia
Glórias dolorosas ao meu sangue.


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Dedicado a todos aqueles que vivem a
solidão incondicional do simples ato de
apenas viver.