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O diálogo íntimo entre o rabugento velho Emanoel e seu amigo de épocas Olavo, nos remete a atmosfera sentimental-obscura de romances franceses e ingleses do século passado. Logo de início, nos deparamos com o desgosto de Emanoel e com seu vício pelo álcool, único metodo que o próprio Emanoel encontra e, que, lhe serve como psicólogo para suas dores.
Por segundo, deparamo-nos com a chegada do também velho olavo, em quem Emanoel cospe suas dores-palavras e, coloca em pauta suas angústias pelo mundo e seu Criador. Deixando claro, a intensidade de seu ateísmo.
O autor, neste conto em prosa, cria uma atmosfera brilhante, onde, a existência mostra-se somente na euforia juvenil, deixando para trás, ao esquecimento, tudo o que passa a adquirir a natureza da velhice, cuja esta, perde-se entre os opacos muros do tempo.
É a amargura de Emanoel, o ator teatral abandonado pela crítica, que, dá sentido e vastidão ao texto, que ataca o leitor com blasfêmias incontáveis, dirigidas a Deus, cujo este, o próprio Emanoel, em toda sua loucura, julga-se até mesmo ser.
Outro fato marcante em 'A ESTRELA ESQUECIDA', é a semelhança (Em algumas poucas linhas) do velho Emanoel com a personagem Ebenezer Scroog - de Dickens, como o próprio autor afirma ter inspirado-se.
Fica mais evidente no trecho onde Emanoel diz:
"Faça isto caduco Olavo. Talvez assim você esteja salvando a sua alma."
Olavo então, responde: "Você sabe muito bem que não acredito no pecado, não é mesmo? (...),
Emanoel então conclui: "Tretas! E nada mais."
Não só pela citação da palavra pluralica - 'Tretas' - muito citada por Ebenezer Scroog, no livro Conto De Natal, mas também pela quase identidade do ato de ser e estar e até mesmo de pensar, é que claramente, conseguimos enxergar a inspiração na personagem de Charles Dickens, que o autor expressou fielmente na personagem Emanoel.
Somente quem lê os textos (Em geral) do autor em questão, consegue uma visão ampla de seu mundo Neo-Gótico, que, atua atmosfericamente sobre ou sob o signo de Lilith, ou ainda de, alguma outra divindade mais obscura, oculta e ainda sim, não descoberta.
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(Hellena Hanz é, escritora e crítica literária. Trabalhou nas revistas on-line: Universo L, Literatura+Pensamento, Lispector Magazine (Da qual atualmente tem uma coluna), entre outras. Além de algumas editoras já extintas e foi crítica literária nos sites de literatura: Tomacultura e, Bookind)
sexta-feira, 16 de abril de 2010
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