
Oh lua que contemplas-me pálida!
faz-me prisioneira dessa solidão
que somente em melodia revela lágrimas
e aos cacos deixa meu coração
Nua, deito-me sobre o dorço vibrante
do mais temível e rubro dragão.
Oh lua, és tu minha salvação faiscante
então lavas, batizas tu as minhas mãos
Na cama o outro me esperas
ereto, armado com a lança de Adão
mas és tu lua, és tu que quero
então, salva-me dessa viciante perdição
E não me deixes amanhecer em sol
antes, transforma-me em mera ilusão
para que possas eu viveres a prol
perdida num sonho sem exatidão
Oh lua, símbolo-útero, maçã-serpente-feminil
invades tu, o ar que respiro, sou
ou planta-me com tuas outras mil
sementes dessa rara mulher-flor.
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
Poema dedicado ao povo pagão feminino.
Praticantes e cultuadoras da Mãe Terra, do amor
e da paz que brota-nos com toda sua eterna elegância.
Nenhum comentário:
Postar um comentário